Imagem do artista Tang Chiew Ling
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Hoje não moro mais na mesma cidade. Moro em uma casa no meio do mato, sem vizinhos. Aqui já passei pela emoção de criar uma cadela, e vê-la morrer. Isso foi devastador para mim. Não consigo mais me ver criando cachorros por que são muito afetuosos. Continuo com meu gato, um companheiro livre como eu. E a arte de viver sozinha? É um aprendizado. Dormir orando para que nenhum crime aconteça contra a sua vida. Orando para que minha casa fique transparente a noite. As mudanças interiores são fantásticas, é se descobrir muito. É encontrar-se com seus medos, suas dores, seu passado, aprender a superar de alguma forma e deixar um espaço novo para viver novidades. Aqui eu me entreguei às minhas paixões intelectuais. Será que vou conhecer alguém? Não sei, muitas vezes acredito que não. ainda que eu conheça, não quero viver com ninguém, apenas namorar. Estou ponderando minha vida espiritual, com muito cuidado. Amizades, eu ainda sou muito seletiva. Curas, ainda estou no processo de cura. Diminui minhas frequências nas redes sociais. O Brasil está regredindo, estão abraçando as ideias de violência e ódio, esta não é minha visão de vida. Acredito que nossas mudanças são periódicas. Ainda digo, que nós temos que nos esforçar por nós mesmos. Estou com 54 anos de idade e estou pretendendo comemorar este ano os meus 55, de uma forma legal, pra tentar apagar a tristeza de não ter comemorado os meus 50 por causa de um marido vil. Não quero deixar de viver coisas boas e gerar boas recordações para o futuro.
